| A impunidade e os valores
em extinção
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 01/03/2007
A revista Veja, através
do jornalista Ricardo Brito fez a denúncia e todo o país deve estar atento ao
que foi noticiado. Chamada pela revista de "vergonha nacional", a matéria disse
que o Supremo Tribunal Federal definiria nesta semana o destino de milhares de
processos que tramitam contra administradores públicos envolvidos em corrupção
e desvio de dinheiro. Cita a revista que são interessados
diretos no assunto o ex-ministro José Dirceu, o deputado Paulo Maluf, o senador
Joaquim Roriz, o ex-presidente Fernando Collor, o ex-governador Orestes Quércia
e centenas de prefeitos e ex-prefeitos acusados de "surrupiar" os cofres municipais
(sic). O STF -afirmou a reportagem- "vai decidir se autoridades que exercem cargos
de natureza política poderão continuar sendo processadas por crime de improbidade
administrativa -- uma figura jurídica criada em 1992 para dar celeridade à Justiça
e permitir que administradores públicos corruptos fossem alcançados com mais facilidade.
A questão é polêmica e o julgamento já
se estende por quatro anos. A tendência é que os juízes decidam que a lei não
pode ser aplicada contra agentes políticos. Ou seja: presidentes da República,
ministros, governadores e prefeitos que se enredam em maracutaias não seriam mais
atingidos pela lei. A conseqüência imediata da decisão seria a anulação de cerca
de 10.000 processos de improbidade que existem hoje contra autoridades e ex-autoridades,
incluindo aí aqueles que caminham para a punição dos personagens já citados."
Considero importante dar destaque ao assunto porque o Brasil precisa se reencontrar
(ou apenas se encontrar) com sua "Justiça". A chamada opinião pública brasileira,
que encontra sua força entre a classe média, está totalmente descrente da aplicação
das leis em nosso país, ou, na ineficácia ou anacronismo dessas leis, que acabam
denegrindo a imagem do Judiciário que se defende alegando que só aplica as leis,
não as faz. Na mesma reportagem, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros,
Rodrigo Collaço disse que "o Supremo está decretando a impunidade dos políticos
deste país". Há até contradição entre as declarações
de nossos magistrados, quando alegam só cumprir a lei e a interpretam de modo
corporativo, dando espaço para que a população siga desalentada porque não enxerga
autoridade capaz de recolocar o Brasil no trilho do mínimo comportamento probo
de boa parte de seus políticos e governantes.E entre nossos legisladores há, lamentavelmente,
uma demonstração aparente de interesse em rever as leis e, mudar o rumo da impunidade
que se perde na ação efetiva de manter a atual situação sem modificação, até como
prevenção num caso de possível necessidade pessoal de ter portas abertas para
escapar. Com, claro, aposentadoria integral paga
pelo pobre contribuinte brasileiro. Aliás, uma figura em extinção, o contribuinte
brasileiro. Assim como a vergonha na cara de muitas de nossas "autoridades".O
alerta da Veja acaba caindo na mesma pergunta anterior, quando houve a brutal
morte do menino João Helio no Rio de Janeiro. Não vamos fazer nada? E ninguém faz nada mesmo. Só espuma. |