| Salve a miséria
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 02/02/2007
O cidadão e a cidadã da
classe média brasileira estão cansados de tanto discurso e pouca ação no sentido
de resultados práticos para a melhoria da qualidade de vida dessa imensa camada
da população brasileira.
A demagogia populista dos governantes, políticos
e agenciadores da miséria, predomina na busca de soluções para a vida das populações
carentes em todo o país, notadamente nos grandes centros e especialmente em São
Paulo. A mídia de modo geral dá ampla cobertura a essas ações visando mostrar
ao seu leitor, ouvinte, telespectador, que está atenta aos desmandos sociais e
serve de voz para o grito dos excluídos.Chavões, palavras de ordem e ações destinadas
a fazer parecer que se busca de fato tirar da situação precária aqueles que nela
se encontram.
Na verdade, muitos vivem da existência
dessa situação. Devem a ela seus cargos, suas plataformas, sua visibilidade, sua
sobrevivência, seu sustento. E reagem de forma feroz quando são questionados como
se tivessem a exclusividade, o monopólio, do direito quase divino de serem os
protetores dos carentes. Valorizam os efeitos, esquecem as causas. Em vez de concentrar suas energias e
ações na viabilização de investimentos que permitam a essas pessoas crescerem,
pela educação, pelo aprendizado, pela formação, na vida, os mantém dependentes
de seus favores e pseudodefesa, na medida em que buscam apenas prover as necessidades
básicas de hoje sem dar-lhes futuro de sobrevivência pelo esforço próprio. É fácil falar. Mas quem deveria agir,
falar mais e com menos ação, tendo nas mãos a capacidade de agir (o orçamento
público, o poder nas mãos) não o faz. Diz a leitora Sueli Simões, de Santo André
"há sempre como falar o que se deseja ouvir. Nem sempre há como equiparar ações
às palavras". Se todos que bradam, vociferam, na defesa intransigente de benefícios
viciantes e mantenedores dos necessitados na mesma situação, direcionassem suas
preocupações para "ensinar a pescar" em vez de "dar o peixe", o Brasil seria muito
melhor. Em compensação muita gente perderia a
bandeira de mostrar-se defensor dos "pobres e oprimidos", ainda que, particularmente,
reze na cartilha (e no privilégio) do "Mateus, primeiro os teus". Falta coragem
de se dizer que enquanto se cultua, cultiva e se dá esmola à pobreza, a classe
média que produz, gera os recursos gastos nessas esmolas, fenece abandonada.Nem
no discurso é lembrada.Quanto mais na ação. Vão matar a galinha dos ovos de ouro,
sugando-lhe as entranhas sem permitir sua evolução. Derrubam a árvore sem outra
plantada.Dá no desmatamento. Vão tirar de onde?
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