Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.

Esperanças renovadas


Paulo Saab - Diário do Comércio - 03/01/2007


O ano de 2006 foi muito ruim para as instituições brasileiras. O regime democrático na sua estrutura suportou bem todas as afrontas que sofreu. Ainda que violadas pelos próprios detentores do poder e pelos representantes populares, eleitos pelo voto direto, ainda que com o sistema de Justiça obsoleto e favorecedor dos infratores, ainda assim, a democracia se sustentou bem mesmo com as instituições sendo atacadas de forma ostensiva.

Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, não foram propriamente exemplos de comportamento para um país que deseja ser desenvolvido, justo, oferecedor de oportunidades iguais. É até contrastante que um governo que tenha sido tão fraco, tão imerso em denúncias ininterruptas de corrupção e inépcia, fosse reeleito e ainda receba percentuais altos de aprovação. Ao mesmo tempo significa um sinal de alerta ainda maior para a parcela da população que tem consciência dos fatos e de como eles ocorrem no país. Vivemos mais uma farsa de realidade do que de realizações construtivas.

Cabe, sempre, em meio a esse clima, lembrar que mudança de ano significa renovação de esperanças. Some-se que vai haver renovação dos mandatos do Executivo Federal, dos estaduais, do Congresso Nacional e das Assembléias estaduais. Mesmo se considerando que em muitos casos os mesmos que conspiraram contra as liberdades públicas e a própria democracia, foram reeleitos, é tempo de renovar as esperanças.

No mínimo de que o espírito de Natal os tenha tocado no sentido de, se não atuam em favor do que é melhor para o país, ao menos parem de saqueá-lo de todas as formas e meios acobertados pela demagogia de dar esmolas aos miseráveis sem oportunidade de melhorar.

Cabe-lhes ,aos miseráveis, apenas sobreviver com a esmola recebida. Existe uma camada da população brasileira, no momento em torno de 21% segundo as pesquisas, que ainda pensa, discerne,questiona, não se conforma com o comportamento de suas "autoridades" dos três poderes.

É incrível, mas diante da ausência de capacidade de entender o que se passa, por parte dos 79% restantes, cabe a essa parcela menor, acreditando na renovação da esperança, seguir lutando para impedir que as instituições e os valores da liberdade sigam, sendo conspurcados por uma visão tacanha que se instalou nos gabinetes oficiais do país. Renovemos, pois a esperança.




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