| E lá nave vá...
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 06/03/2007
Com o crescimento pífio
do PIB brasileiro no ano passado, conforme divulgado pelo IBGE, é interessante
constatar alguns resultados de pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos e divulgada
na Fiesp, sobre o comportamento do consumidor brasileiro neste início de 2007.
Do universo ouvido cerca de 62% dos entrevistados
disseram não ter recebido 13º salário em 2006, atestando a gravidade do quadro
informal do emprego no país. O destino desse salário para 20% foi o pagamento
de dívidas, outros 10% foram para compras de Natal, um por cento reformou a casa
e 2 % aplicaram em poupança, nas principais respostas. À pergunta: o que poderia
ajudar a industria nacional a crescer mais em 2007 e liderar o crescimento do
país, 28% dos consumidores responderam que o governo deveria reduzir impostos
da industria. 17% pediram produtos nacionais mais em conta,para competir com os
importados (como se fosse possível diante da carga tributária,da burocracia e
da infra-estrutura obsoleta do país.Comentário meu.) 13% citaram a redução da
burocracia e 12% a população ter maior poder de consumo,entre outras respostas.
As respostas à pergunta, você acha que
o Brasil vai crescer mais ou menos que em 2006, 58% responderam mais e 5% menos,
sendo que 29% acharam que vai ser igual. O brasileiro segue sendo um eterno otimista.
Perguntados sobre o que poderia prejudicar o ritmo do crescimento do país, 17%
disseram que a falta de investimento seria a principal razão. Colados, 16% mencionaram
a não realização pelo governo das reformas da previdência, tributária, etc). 9%
mencionaram a falta de infra-estrutura e 6% a corrupção ou roubalheira na política.
Revela-se aqui também que a população segue mal informada ou ignorante em relação
aos assaltos aos cofres públicos. Perguntados sobe qual o maior obstáculo
para a criação de empregos, 34% responderam que são os impostos cobrados pelo
governo. 21% afirmaram ser os juros cobrados pelos bancos, 13% atribuíram responsabilidade
às industrias por não investir na produção (falácia governista?). 12% alegaram
ser o fato de o governo gastar mais do que consegue arrecadar (e como arrecada,
comentário meu) e inflação e produtos piratas ficaram com 5% cada. Foram ouvidos dois mil consumidores em
todo o país e de todas as classes sociais. Pesquisa em tudo serve para referência.
Num país onde o PIB ha aparentes séculos, mas ha bons anos, o PIB cresce muito
pouco, bem abaixo das médias mundiais e das necessidades do país, esse tipo de
pesquisa mostra também as contradições entre o que pensam, acham, os brasileiros,
e a realidade nacional de conhecimento da pequena parcela da população de capacidade
de absorver informações e formar opinião com base em fatos não em propaganda ou
carisma de alguns. O Brasil está envolvido numa onda de
desvio de atenção dos problemas que afetam o cotidiano das pessoas na sua falta
de perspectiva de melhoria de vida, para a pura e simples sobrevivência em face
da dominação que o crime impôs à sociedade. Escapar ileso a cada dia é mais objetivo
de vida do que a ascensão social, econômica, pessoal, profissional. E cresce a
cada dia a legião de brasileiros mal formados intelectualmente que têm como aspiração
maior (após sobreviver) obter alguma bolsa esmola do governo para sua pobre subsistência
(após a sobrevivência). Com tristeza vejo jovens de baixíssimo
pode aquisitivo pleitear do governo bolsas a qualquer título, como perspectiva
de vida futura.Que tipo de geração estamos formando? Que se pode esperar de quem
crescerá sem nada aprender ou ter a contribuir com sua (falta de) força no trabalho? E assim lá nave vá... |