Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.


Bolívar quem?



Paulo Saab - Diário do Comércio - 09/02/2007


Bolívar quem? Respeito as figuras históricas. Difícil deixar de sentir algum aborrecimento quando estas são manipuladas ou distorcidas. Respeito a fé religiosa das pessoas, mas não creio que alguém possa, por exemplo, usar o nome de Jesus como muitas religiões fazem, no trato com o mais humildes. Por isso, voltando à política, sempre me incomodou, além do nome da Venezuela (República Bolivariana de Venezuela) a forma como seu presidente-a-caminho-de-sere-ditador, Hugo Chaves, invoca e se refere a Simon Bolívar.

Por isso, tentando não ser muito ignorante, recorri a uma pesquisa e encontrei na Internet: Simon Bolívar, "Nascido na Venezuela, filho de aristocratas espanhóis, Simón Bolívar (1783-1830) foi figura central da independência das colônias espanholas na América, ao lado do argentino San Martín. Herói da libertação da Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia, Bolívar colocou em prática na América idéias de Rousseau, Hobbes e outros filósofos do Iluminismo.

Foi fortemente influenciado pelos ideais das Revoluções Americana e Francesa. Descrito por seus biógrafos como homem de pensamento rápido, estratégia mais diplomática e econômica do que bélica, em seus escritos, como o Manifesto de Cartagena, conclamava os irmãos massacrados pelos colonizadores espanhóis a uma união política e econômica que desse poder de barganha a seus produtos no mercado internacional e estatura própria às nações sul e centro-americanas, que não deveriam mais ser vistas como quintal das potências centrais". Preste atenção o leitor e veja se os ideais, por exemplo, da Revolução Francesa ou mesmo a base da Constituição dos Estados Unidos (são contemporâneas) têm alguma identificação com o "socialismo"?

O ideal de não ser quintal de potências centrais até cabe no discurso de Chaves, mas daí a manipular a figura libertadora para impingir um regime totalitário como o de seu ídolo Fidel (ninguém mais se lembra do paredón?) vai uma distancia que só a miopia política de pessoas do governo faz o Planalto não enxergar. Sem falar que Simon defendia a diplomacia e não o belicismo.

Antes eu dizia, Republica Bolivariana da Venezuela, abrindo parêntese para afirmar, seja lá o que isso queira dizer. De agora em diante, vou escrever, República Bolivariana de Venezuela, sabendo que Bolívar, aí,para Hugo Chaves se traduz em tudo aquilo que o próprio Chavez queira que seja,menos liberdade,democracia. Isso, enquanto durar esse nome.

A tendência, como nos antigos países totalitários de esquerda é o nome passar a ser: República Democrática de Venezuela. Sob ocupação permanente de Chavez, porta-voz na vida terrena do espírito de Bolívar. Observação: atenção céticos acendam todas as luzes vermelhas (só coincidência). Só se pensa em terceiro mandato em alguns lugares pátrios tupiniquins.

Vem aí tentativa de violação constitucional sob o manto do aperfeiçoamento da "democracia".




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