Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.

Viver em São Paulo


Paulo Saab - Diário do Comércio - 09/03/2007


Quando o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, visitou o Brasil na década de 70, a população da cidade de São Paulo era cerca de metade da que hoje vive na capital paulista. A mobilização necessária para a circulação do sempre poderoso presidente norte-americano foi uma. Na visita do atual presidente, George W. Bush, a mobilização foi outra.
Não precisa muito para a cidade parar.Um simples acidente de trânsito numa das avenidas marginais aos rios Tietê e Pinheiros, por exemplo, instala o caos no tráfego de veículos.

Uma chuva mais forte imobiliza os motoristas dentro de seus carros por horas.
São Paulo é o que é e viver na terceira maior cidade do mundo, num país eternamente em vias de desenvolvimento, portanto, ainda subdesenvolvido, custa caro demais aos contribuintes e habitantes em geral da megalópole.

A nossa capital sempre acolheu de braços abertos gente vinda de todas as partes do mundo e do Brasil. Como paulistano nato, neto de imigrantes que por aqui aportaram entre o final do século XIX e início do século XX, sou testemunha viva de como nunca houve distinção de origem para aqueles que aqui vieram aportar. E ainda chegam muitos embora a condição de acolhimento e a capacidade de absorção tenham diminuído drasticamente.

São Paulo cresceu demais. Inchou. Avançou, esparramou-se, ocupou a área geográfica alem de suas possibilidades. O crescimento vertiginoso da população, das construções, dos veículos, das necessidades, sem o acompanhamento adequado no nível de respostas por parte do poder público, transformou esse gigante de concreto num monstro que dicotomicamente se divide entre ainda generoso e aberto e tristemente frio e decadente.

Basta o leitor ficar preso em engarrafamento nas ruas da cidade para flagrar-se nessas meditações acerca de onde vivemos. A ação predatória do ser humano, que se sente na cidade, espraia-se pelo planeta e agride a natureza que já começa a revidar. Primeiro, nos tirou a garoa, marca da cidade. Depois nos tirou o inverno. E agora começa a nos causticar com a elevação média da temperatura pela impermeabilização da superfície do município e áreas verdes aquém da necessária.

Em meio a tudo isso a violência agressiva dos criminosos tirou o mínimo sentido de amor que as pessoas poderiam ou deveriam ter pelo local onde vivem. O medo transformou-se em paranóia e, no geral, a sensação que hoje se tem é a de que São Paulo (outros grandes centros também) tornou-se o purgatório ao vivo e em cores. Com direito a balas perdidas, impunidade e desalento.

A cidade de São Paulo precisa ser mais amada por cada um dos seres humanos que aqui residem, trabalham, vivem. São Paulo pede socorro e que cada habitante cuide dela um pouco melhor. Ela ainda oferece tanto de volta.



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