| Fazer
mal feito Paulo Saab - Diário
do Comércio - 16/03/2007
Mesmo sendo otimistas e sempre trabalhando para
que as coisas no país melhorem, os cidadãos comuns, notadamente aqueles que vivem
de seu esforço, suor, risco e capital, como os pequenos e médios empresários,
ou os profissionais liberais, ou, ainda, os assalariados esfolados na fonte pelo
imposto de renda, todos, sabem que quando algo é mal feito, deve ser refeito e
o custo acaba sempre sendo no mínimo dobrado.
Sabem também que em nosso
país o descomprometimento dos políticos e governantes, ao menos boa parte deles,
com a seriedade no trato da coisa pública (leia-se aqui com o dinheiro arrecadado,
extorquido pelo seu alto volume dos acima mencionados) numa irritante sucessão
de vezes, acaba por determinar que tudo seja mal feito.
Com custo dobrado
jogado nas costas de quem não suporta mais tanto imposto, taxa, tarifa. Enquanto
a Educação agoniza no país, por mais que se trabalhe na sociedade civil a ser
favor, o poder público se dá ao luxo de fazer mal feito. Não sou eu quem afirma.
O ministro dos Esportes.Sr. Orlando Silva, como mencionou a Folha de São Paulo
em manchete, foi taxativo: "O Orçamento do Pan (Jogos Pan-americanos, este ano,
no Rio de Janeiro) foi mal feito".
O orçamento mal feito errou. O custo
está em torno de 8 a 10 vezes maior do que o orçado para as construções e investimentos
necessários a essa realização. Dinheiro do contribuinte brasileiro. O presidente
Lula foi ao Rio de Janeiro outro dia bater um pênalti descalço no Maracanã, levando
no bolso um cheque de cem milhões de reais para "ajudar" a sustentar o orçamento
falido. A foto do pênalti (o governador do Rio nem se mexeu no gol, não é besta)
saiu em todos os jornais. Da cópia do cheque ninguém falou. Cem milhões de reais.Quantas
escolas, hospitais, estradas? Quanto armamento aos policiais ou melhoria salarial
para estes e/ou professores, cabem nessa verba? O Pan é importante para o país.
Admito.
Mas muito menos importante do que a melhoria da qualidade de vida
da população brasileira. Que gasta como a Alemanha e vive, come, dorme, anda,
como, quem sabe, no Haiti. Após o Pan, todo o investimento feito vai se deteriorar.
Aposto desde já. O mal feito prevalece no país como conseqüência de um padrão
cultural que não se modificará enquanto esse tipo de investimento vultoso não
for feito silenciosamente, maciçamente, na Educação de nossa gente e de nossos
políticos e governantes.
Tudo é mal feito no Brasil. Quase tudo. As maracutaias,
a corrupção, o nepotismo, o privilégio, o direcionismo, a safadeza, a falta de
vergonha na cara, estes, e mais alguns de seus sub-produtos, esses sim, são muito
bem feitos para e por seus beneficiários. A paciência bovina da população ordeira,
trabalhadora, principalmente a classe média e as camadas mais pobres, distantes
da demagogia oficial, é o sustentáculo de tudo.
Bovinamente.
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