Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.


América Latrina



Paulo Saab - Diário do Comércio - 19/01/2007


Sei que a expressão é forte e por ela peço desculpas ao leitor.Mas, se observarmos bem o que vem acontecendo em países "hermanos" da América do Sul, a conclusão não será muito diferente. Por uma circunstância histórica anacrônica, fora de sentido e certamente,como no Brasil, lastreada em voto de eleitores com capacidade inadequada de percepção da realidade, seduzidos por palavras fáceis, promessas demagógicas e esmolas concedidas, estão sendo conduzidos ao poder governantes quem falam e agem na contra mão da história, impedindo a viabilidade de crescimento sustentado de seus países.

Pior do que impedir o crescimento e por conseqüência a melhoria da qualidade de vida de suas respectivas populações, sempre pobres, esses governantes têm objetivo concreto: se utilizar dos benefícios do regime de liberdade democrática para instalar ditaduras onde possam se eternizar no poder. No instante igualmente histórico em que fenece a ditadura cubana, que se desmanchará no ar logo após a morte (se é que ele vai morrer um dia) do ditador Fidel Castro, neocaudilhos sul-americanos tentam, não por Sierra Maestra, mas pelo voto ingênuo, suprimir as liberdades democráticas para se tornarem senhores absolutos dos destinos das suas populações.

Navegam de tal forma na contra mão das necessidades do ser humano que ainda buscam na falecida forma do socialismo a justificativa para seus egos autoritários. A partir do exemplo nefasto de Hugo Chaves, da Venezuela, seguiram-se o boliviano Evo Morales e agora o equatoriano Rafael Correa. São frutas contaminadas que podem influenciar de maneira negativa os demais países da América Latina que, nesse caminho, pode mesmo se tornar Latrina.

As atitudes que esses ditadores travestidos de presidentes estão adotando, agora, na palavra de Chavez e nas ações de todos, já escancaradas em favor de terem todo o poder em suas exclusivas mãos, devem preocupar os que enxergam na liberdade democrática o menos imperfeito dos regimes políticos.

O socialismo e seu irmão mais radical, o comunismo, afundaram por si só no mundo todo em função da natureza libertária do ser humano e da incapacidade dos homens de tentar transformar a todos em escravos de um grupo privilegiado (em todos os sentidos) de ocupantes do poder. Pode durar algumas décadas, como na extinta (por si só) União Soviética, mas cai de podre. Venezuela, Bolívia e Equador são hoje países que vão servir de âncora para segurar a América do Sul, especialmente, não se sabe por quanto tempo mais, no atraso, na decadência, na imoralidade que em nome do socialismo os grupos ditadores impõem ao dominados.

O Brasil, especialmente, precisa fazer valer sua posição libertária consolidada, ainda que o presidente Lula acene com simpatia exagerada e reação nenhuma às agressões vindas dos totalitários e ainda que Stedile e companhia, os socialistas tupiniquins , tenham tratamento privilegiado no Planalto. Dar importância a esses países cujas populações somadas se equiparam a Estado, por exemplo, como São Paulo, por conta de alguma riqueza natural como gás e petróleo, seria ocioso se não representassem ameaça à economia brasileira.

A excentricidade e o folclore neles contidos podem e devem ser respeitados. Mas, normalmente, ditadores, e eles o são, não respeitam a nada e a ninguém. Oremos para o que o Planalto e dentro dele o Itamarati, sejam mais espertos na defesa da democracia e dos interesses brasileiros do que tem parecido ser.




..................................................................................................................................
<<   LISTA DE ARTIGOS  >>>


.

Paulo Saab © Direitos Reservados - 2007