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gerente
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 23/01/2007
A questão do gerenciamento
é fundamental em qualquer tipo de atividade. Inclusive e talvez principalmente
no poder público. O gerenciamento, num conceito genérico, de conjugação de ferramentas
que contemplem conhecimento, planejamento, execução, fiscalização, cobranças,
e comprometimento dos envolvidos, é o que determina o maior ou o menor grau de
resultados obtidos nas atividades. O gerente, neste conceito, (pode ser um presidente,
um diretor...) é a figura fundamental para as coisas andem. Simplesmente isso:
fazer a coisa andar. E muita coisa não tem andado, ao menos como deveria, no Brasil,
por falta de gerência ou de alguns dos elementos que a compõem e deterioram com
sua ausência o melhor resultado possível.
Aplicando esse raciocínio ao
acidente do Metrô no bairro de Pinheiros vamos descobrir que é válido o argumento
sempre presente quando ocorrem tragédias, de que elas decorrem de uma sucessão
de falhas. E estas são conseqüência, por diferentes motivos, do mau gerenciamento.
Embora um pouco distante das manchetes atuais, outro acidente de impacto brutal,
o choque de dois aviões, no ano passado, foi também, segundo se lê e ouve, resultado
de uma sucessão de erros que só ocorrem quando gerenciamento da atividade é mal
feito. De comum entre acidentes de diferentes proporções, mas sempre trágicos
quando implicam em perda de vidas humanas, é a convergência de erros que somados
levam à perda do controle do planejado e a um resultado negativo. A fatalidade
se faz presentes para os que acreditam em destino pela questão de segundos ou
minutos que determinam quem vai estar ou não onde ocorre o produto desse mau gerenciamento.
É o motorista que voltou ao caminhão para pegar a carteira de motorista
e afundou, é a dona de casa que passava na rua onde houve o solapamento, é o passageiro
que pegou o vôo por ter se atrasado em outro e assim vai. Tudo isso faz parte
de um contexto onde se ressalta a necessária existência de bom gerenciamento nas
atividades a que o ser humano se propõe a executar. Como acontece nos fatos da
vida, a questão do bom gerenciamento está ,como mencionei acima, ligada diretamente
ao exercício do poder público. Nem sempre os acidentes que acontecem em decorrência
do mau gerenciamento público são visíveis.Não provocam comoção nem revolta. Mas
ceifam por meios indiretos a vida de um número expressivo de vidas.
Por
exemplo: o mau gerenciamento do serviço público de saúde mata diariamente nas
filas, na falta de atendimento, de remédios, de leitos, de atendimento adequado,
brasileiros e brasileiros que somados fazem um número mais chocante do que o dos
acidentes materiais. É só um exemplo. Poderia ser da má qualidade das estradas
que mata diariamente donas de casa, motoristas, toda sorte de passageiros que
são vitimados pelas más condições das rodovias. Poderia ser o exemplo das mortes
decorrentes de falta de saneamento básico. De crimes, de tanta coisa que deriva
do mau gerenciamento público, que o espaço não comportaria tantas citações.
Como
o exemplo sempre vem de cima, está na hora de as autoridades públicas, os responsáveis
por decisões que afetam as vidas das pessoas, notadamente no poder público, mas
também na iniciativa privada, na sociedade em geral, que o bom gerenciamento substituísse
o mau gerenciamento. Nossos políticos, governantes, magistrados, legisladores,
empreendedores de toda sorte, precisam repetir a mulher de César.Além de ser honestos,
mostrar que são honestos.
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