Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.


Santa Casa Brazil



Paulo Saab - Diário do Comércio - 23/02/2007


Está na memória de muita gente o período do governo João Figueiredo, com todo respeito, em que ninguém entendia o que se passava nos escaninhos do governo e se especulava, ainda como vício do período fechado dos governos militares, que por trás do que aparentava ser ou não ser ação daquele governo, deveria haver alguma grande estratégia política ou econômica ou mesmo militar.

O tempo, consagrado na camiseta da Collor como o senhor da razão, provou que não havia nada mesmo. O governo era oco e não havia estratégia nenhuma para nada, a não ser o presidente ficar livro do encargo, após usufruir suas benesses e pedir para ser esquecido. O que já ocorreu. Pois bem, recentemente publiquei aqui decreto do governo brasileiro doando vinte milhões de reais ao Paraguai. A Bolívia, a Venezuela e em breve como qualquer ilha do Pacífico, estão impondo ao Brasil submissões e arbitrariedades que atentam contra o patrimônio público nacional (Petrobrás, por exemplo) e criam constrangimentos ao nosso país.

E prejuízos econômicos, claro. Deve haver, como nos tempos de Figueiredo, uma grande estratégia do governo Lula por trás de tanta aparente ingenuidade ou condescendência, que começa a dar idéia de fraqueza, perante os vizinhos latino-americanos. A Argentina, no Mercosul, tem feito gato e sapato do Brasil. A Venezuela tenta governar o Brasil por tabela e consegue alguns intentos. A Bolívia humilhou o patropi e agora conseguiu arrancar um aumento no gás fornecido, com direito a tapinhas nas costas de Lula no ex-plantador de coca Evo Morales. Viramos uma Santa Casa da Misericórdia.

O Brasil deve ter alguma, repito grande estratégia por trás das palavras de Lula segundo as quais devemos ser bonzinhos com nossos irmãos menores. Ou é a solidariedade solcialista-cabocla que não tem fronteiras nem território, valendo mesmo a ideologia disseminada? Bem, estimulados pela aparente tibieza do governo brazileiro, agora na campanha eleitoral presidencial do Paraguai, além de receber doações milionárias do Planalto tupiniquim, os candidatos de lá se vem no direito de bater duro no Brazil, dizendo que vão aumentar até sete vezes mais a energia excedente de Itaipu que vendem ao nosso país.

Não demora muito e o Uruguai vai querer nos ocupar. Mais um pouco e as Guianas vão invadir nossas fronteiras. Até a Argentina, como dizia; Las Malvinas son argentinas, vai passar a querer Fernando de Noronha. Ou há uma grande estratégia por trás de tudo isso que emana dos Palácios do Planalto e do Itamarati, ou há um grande, enorme, vazio, oco, de ação política internacional. Se a razão for a "liderança" de Lula no bloco que fala espanhol, é bom alguém avisar que não sobrou espaço algum para quem fala português ocupar nesse território americano do Sul.

Quietinho o Chile vai prosperando...




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