Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.
Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.


"Revolução dos bichos"



Paulo Saab - Diário do Comércio - 26/01/2007


Quem não leu deve ler. Quem já leu deve reler. Ficará mais fácil entender o que se passa em países como a Venezuela, Bolívia, Equador e adjacências. O livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell foi escrito em 1945, mas é impossível, ao ler seu conteúdo, deixar de lado a imediata associação que a mente faz ao que acontece aos países que se dedicam à "liberdade" através da ação de "líderes" que manipulam e conduzem a massa...para onde bem quiserem.

Não vou privar o leitor que ainda não conhece esse clássico de, por si mesmo, descobrir a essência do autoritarismo de forma inteligente, lúdica, irônica e altamente esclarecedora nas palavras de Orwell que também nos brindou, igualmente nos anos 40 do século anterior, com o "1984", onde nasceu à imagem do Big Brother, o Estado autoritário total. Orwell tem passagens definitivas nas duas obras. Os bichos, no primeiro livro, e o Grande Irmão, no seguinte, refletem a capacidade do ser humano de contrariar a natureza libertária da espécie para tentar escravizá-la em nome da liberdade.

O controle dos atos, pensamentos e ações das pessoas, são típicos de déspotas que chamam a si (sem serem solicitados a tal) a tarefa de decidir tudo pelos outros, impondo-lhes sacrifícios em nome do coletivo enquanto individualmente se esbaldam naquilo que proíbem aos demais. Usam do que Orwell chamou em "1984" de metalinguagem, onde o significado das palavras diz o oposto do que conhecemos. No governo brasileiro atual há um assessor pessoal da presidência da República especialista nesse quesito.

Há um ministro, importante, que usa do mesmo recurso. Democracia, liberdade, por exemplo, são palavras que na prática, se traduzem em totalitarismo, privilégio, suspensões das liberdades e por aí afora. Voltando aos bichos. Mesmo sem essa dica, tenho a convicção de que o leitor, ao finalizar a leitura (dá para ler num dia) terá identificado pelo menos uma centena de figuras do mundo político nacional, continental e mesmo, mundial.

Falando em liberdade, folguei ao ouvir o presidente da República discursar dizendo que a democracia, a liberdade, não podem ser sacrificadas em nome do crescimento econômico. Ou foi uma resposta aos "hermanos" ou foi metalinguagem ou foi verdade mesmo. Em cada uma das hipóteses há uma série de orações para prevenção contra o mal.

Na última só há o bem. Se for mesmo verdade, então os pesadelos bolivarianos que andam me acometendo, ficarão mais amenos.




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